Investir Dinheiro

Hedge: 3 Formas de Proteger Seus Investimentos na Crise

por Cláudio Silva

Nas próximas linhas vou te explicar como utilizar o Hedge para proteger seus investimentos contra oscilações de mercado provocadas pelas crises financeiras como a do coronavírus.

Investir é uma ação fundamental para o seu gerenciamento financeiro. Dentro da minha abordagem de Educação Financeira, Investir Dinheiro é o Terceiro Pilar da Estrutura Financeira de qualquer pessoa. E se esse pilar não estiver de pé, toda a estrutura desmorona.

Mas para investir com tranquilidade, você também deve aprender a proteger seus investimentos contra as crises financeiras que provocam perdade de patrimônio.

Por isso, este artigo é essencial para você que:

  • quer investir mas tem medo de perder tudo;
  • quer arriscar mais na renda variável;
  • tem interesse em investir, mas está com medo da crise;
  • já investe e quer aprender como proteger seu patrimônio.

Ao final do artigo eu vou te mostrar que:

  • é possível proteger a carteira com hedges, reduzindo perdas
  • é possível proteger sua carteira de grandes quedas de crises econômicas
  • como usar proteções para investir na renda variável

Por que você precisa ter um hedge na sua carteira?

Sempre que investimos nosso dinheiro na busca de algum objetivo financeiro, fazemos isso com a finalidade de obtermos retorno.

No entanto, para todo retorno, existe um risco atrelado de igual proporção. Ou seja, quanto maior o retorno, maior o risco.

"quanto maior o retorno, maior o risco."

Nos dias atuais, em que vivemos a mínima histórica da Taxa Selic, a 2,25%, os investimentos de menor risco estão pagando um retorno ainda menor, prejudicando os objetivos de quem investe nos ativos de renda fixa.

Assim, para termos um retorno que valha a pena e traga compensações reais mesmo no longo prazo, precisamos nos expor à investimentos de maior risco, como é o caso das ações e fundos imobiliários.

Então, quanto mais nos arriscamos, mais devemos nos proteger de eventuais crises, a fim de não perder o patrimônio investido.

Acontece que vivemos em um mundo que a crise não é tão eventual assim. Vivemos em um mundo VUCA (do inglês: volátil, incerto, complexo e ambíguo). Tudo está conectado e uma crise em iniciada em qualquer lugar do mundo interfere nos seus investimentos.

"Vivemos em um mundo VUCA. Tudo está conectado e uma crise em iniciada em qualquer lugar do mundo interfere nos seus investimentos".

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Se olharmos para o passado recente, lembraremos da crise imobiliária nos EUA em 2008; a crise política brasileira em 2014 seguida de uma recessão econômica que começou a se recuperar em 2018; e até mesmo a crise bovina em 2019, em que a compra em massa de carne bovina bovina pela China aumentou o preço de todos os alimentos em nosso território.

Em 2020 vivemos a crise do coronavírus. Muito maior e muito mais trágica. Tenho convicção que a humanidade irá superar essa crise. No entanto, tenho a mesma convicção que enfrentaremos outras crises no futuro.

Esse é o ponto chave. Se precisamos investir em ativos mais arriscados e se as crises são cada vez mais presentes, nada mais lógico que lançar mão de proteções para reduzir os efeitos das oscilações negativas nas nossas carteiras.

O que é um Hedge

Hedge é uma palavra de origem inglesa que significa cobertura, e é um instrumento que visa proteger um ativo ou uma carteira de ativos contra variações indesejadas de preço. Sua função é reduzir ou eliminar o risco de perdas de patrimônio.

Quando investimos, não queremos perder dinheiro. No entanto, muitos investidores perdem grandes somas de dinheiro, especialmente em situações de crise, simplesmente porque não conhecem ou não sabem utilizar um Hedge.

Regra número 1: nunca perca dinheiro.
Regra número 2: não esqueça a regra número 1.

Warren Buffett

3 Formas de Montar um Hedge para sua carteira de Investimentos

Quero te mostrar agora as 3 formas mais comuns e mais fáceis para você montar um hedge e proteger suas carteira de investimentos.

Saiba, no entanto, essas não são as únicas maneiras. Também existem proteções mais avançadas, como é o caso das opções e os hedge funds. Como necessitam de conhecimento mais avançado, trataremos deles em artigos específicos.

Diversificação: a maneira mais simples de construir um Hedge

Além de ser a mais fácil, considero praticamente obrigatória.

Você já deve ter ouvido a famosa frase dos investimentos:

"Não coloque todos os ovos em uma cesta só!"

Se não ouviu, vou te explicar. A ideia é que se você coloca todos os ovos em uma cesta só e ela cair, quebram-se todos os ovos. Por isso, a recomendação é distribuir os ovos em várias cestas, e se uma delas cair, os demais ovos se salvam.

A diversificação da carteira de investimentos segue a mesma lógica. Se você investe todo o seu dinheiro em um único ativo, você corre um risco maior, pois se esse ativo tem um mal desempenho, possivelmente irá perder dinheiro.

Mas quanto maior a diversificação, maior a proteção. E não falo só da quantidade, mas da qualidade dos ativos. Isso quer dizer que você deve começar diversificando entre renda fixa e renda variável. E o percentual depende muito do seu perfil de investidor, bem como do cenário econômico. Em situações de crise, é recomendável reduzir a exposição à renda variável, aumentando o percentual em renda fixa.

Depois, é importante diversificar dentro de cada tipo de ativo. Na renda fixa, por exemplo, você tem opções como o Tesouro Direto, CDB, LCI/LCA, Debêntures. Já na renda variável, temos as Ações e os Fundos de Investimento Imobiliário (FII), como os mais conhecidos.

Por fim, é altamente recomendável que você pulverize sua parcela dedicada à renda variável em diversas ações e em diversos FII, conforme sua disponibilidade financeira. O mais correto é escolher ações e FII de setores distintos da economia (bancário, telefonia, varejo, construção civil, etc). 

Prós

  • Se a economia vai bem, você terá diversas oportunidade de ganhos.
  • Se a economia vai mal para algum setor, você cobre com os outros setores.
  • Em casos de crise em diversos setores, a renda fixa dimnui a variação do seu patrimônio, servindo como um suporte.

Contras

  • A aquisição de muitos ativos pode promover aumento de custos de corretagem.
  • Pode prejudicar a liquidez, caso adquira quantidades abaixo do lote padrão.
  • É limitada pela disponibilidade financeira, ou seja, para investimentos menores é mais difícil diversificar.

Como fazer:

Montar uma carteira diversificada consiste em pensar de que forma distribuir seu investimento nas diversas classes de ativos, em termos percentuais. Veja abaixo uma sugestão de alocação para perfis mais conservadores, destacando ainda o percentual para situações de crise.

Passo 1

Defina o percentual entre renda fixa e renda variável de acordo com seu perfil de investimento. Em situações normais, um perfil conservador tende a aplicar entre 50 a 65% em renda fixa. Em situações de crise, um perfil conservador aumenta sua aplicação em renda fixa para até 75% dos seus investimentos, reduzindo sua exposição à renda variável.

Passo 2

Diversifique os ativos da sua renda fixa. Utilize vários títulos do Tesouro Direto, bem como CDB e LCI/LCA. É preciso pesquisar taxas e retornos. Em situações de crise, priorize o Tesouro Direto, por ser considerado o mais seguro

Passo 3

Diversifique sua renda variável entre Ações e Fundos de Investimento Imobiliário. Em situações de crise, aplique 15% em ações e 10% em FII, podendo variar de acordo com o seu perfil. Não esqueça de escolher papéis de setores diferentes da economia, em cada classe de ativo, para uma diversificação mais apurada.

Passo 4

Faça suas aplicações, executando os percentuais planejados. É interessante se atentar a taxa de corretagem e demais custos de operação, se houver. Escolha uma corretora que cobre menores valores, mas que também sinta-se seguro em operar.

Dólar: Hedge cambial que protege durante a queda do Ibovespa

Historicamente, o preço do dólar tem a tendência de ser inversa ao movimento do Ibovespa. A explicação lógica para este fato é que, existem muitos investimentos de origem estrangeira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Assim, quando acontecem situações em que investir nas empresas brasileiras se tornam mas arriscadas, esses investidores retiram seu dinheiro do Brasil, levando os dólares investidos embora. Pela lei da oferta e demanda, a diminuição da quantidade de dólares em circulação na economia brasileira deixa a moeda mais cara.

Resumindo, quando o Ibovespa cai, o dólar sobe, e vice versa. Por isso, ter parte da sua carteira investida em dólar pode neutraizar ou pelo menos reduzir as perdas em momentos de queda do Ibovespa.

Prós

  • Excelente opção para proteger investimentos em renda variável, servindo como um amortecedor para essa classe de ativos em momentos de estresse.
  • Proteção contra a desvalorização do Real por qualquer motivo.

Contras

  • Ação do Banco Central no intuito de reduzir o preço da moeda, aumentando a oferta de dólar em nosso território, reduzindo o poder da sua proteção. 
  • Díficil operacionalização para patrimônios abaixo de 10 mil reais.

Como fazer:

Existe mais de uma forma de investir em dólar. Mas para deixar as coisas mais simples, vou te mostrar apenas uma: o fundo cambial. Isso porque é a melhor forma de usar o dólar como hedge, que é o objetivo deste artigo.

Esse tipo de fundo investe ao menos 80% em ativos atrelados à variação do câmbio. Segue alguns exemplos:

Para comprar esses fundos, você deve acessar possuir uma conta na respectiva instituição financeira emissora. Veja um passo a passo simples para fazer um hedge cambial: 

Passo 1

Defina um percentual entre 5 a 10% do seu patrimônio para o hedge cambial, de acordo com o seu perfil e cenário econômico.

Passo 2

Analise as opções de fundo apresentadas acima e escolha o papel que mais lhe agrade. Considere as taxas, o aporte inicial mínimo e a movimentação mínima. Faça seu cadastro na instituição.

Passo 3

Faça suas aplicações, executando os percentuais planejados. É interessante se atentar a taxa de administração e demais custos de operação, se houver. 

Ouro: Hedge de reserva de valor contra crises mundiais

Investidores mais conservadores podem não se sentir tão seguros somente com o hedge cambial, e buscam uma proteção maior investindo em ouro.

O ouro é considerado mais seguro por possuir o lastro físico, e por não estar tão exposto às ações do Banco Central sobre a moeda.

Também é uma alternativa consistente para crises mundiais, como a crise do coronavírus, nas quais uma recessão da economia norte-americana pode derrubar o dólar em nível mundial.

Assim, o hedge em ouro busca mais a preservação de valor do patrimônio do que compensações da queda da renda variável com a alta do dólar.

Prós

  • Não está atrelado às ações do Banco Central.
  • Ideal para crises mundiais.
  • Protege contra eventual enfraquecimento do dólar.
  • Aliqua nulla pariatur elitis

Contras

  • Díficil operacionalização para patrimônios abaixo de 10 mil reais.

Como fazer:

Você pode comprar ouro físico, adquirindo minicontratos direto no homebroker(OZ1D de 250g e OZ2D de 10g) ou por fundos. Por uma questão de segurança e por serem mais baratos e acessíveis, indico que você utilize os fundos. Veja abaixo algumas opções:

Para comprar esses fundos, você deve acessar possuir uma conta na respectiva instituição financeira emissora. Se decidir seguir a recomendação e aplicar em fundos, os passos para adquirir são praticamente os mesmos do fundo cambial:

Passo 1

Defina um percentual entre 5 a 10% do seu patrimônio para o hedge em ouro, de acordo com o seu perfil e cenário econômico.

Passo 2

Analise as opções de fundo apresentadas acima e escolha o papel que mais lhe agrade. Considere as taxas, o aporte inicial mínimo e a movimentação mínima. Faça seu cadastro na instituição.

Passo 3

Faça suas aplicações, executando os percentuais planejados. É interessante se atentar a taxa de administração e demais custos de operação, se houver. 

Como utilizar o Hedge de acordo com seu patrimônio investido?

Como implementar?

Carteiras de investimentos com valores menores podem ter algumas dificuldades em implementar as estratégias de Hedge apresentadas neste artigo. 


Por isso, o quadro abaixo vai te mostrar como implementar o Hedge de acordo com o seu patrimônio. Se você tem um patrimônio menor investido, utilize o método mais simples até atingir um patrimônio maior investido.

Patrimônio menor ou igual a 10 mil reais

Nesse caso, faça apenas a diversificação dos seus investimentos conforme mostrado no início deste artigo.

Patrimônio acima de 10 mil reais

Com um patrimônio maior, você já pode utilizar as 3 estratégias em conjunto. Inicie com a diversificação. Em seguida, faça o hedge cambial e de ouro conforme mostrado acima. Somando dólar e ouro, considere o percentual máximo de 10% em situações normais e 20% em smomentos de crise.

Qual o seu tipo de Hedge preferido?

E você? Já é um investidor? Faz algum tipo de hedge na sua carteira. Compartilhe com a gente contando sua experiência nos comentários abaixo.

Cláudio Silva


Sou Especialista em Educação Financeira e tenho como missão pessoal ajudar o Brasil sair da pobreza, ensinando as novas gerações construir riqueza.

Cláudio Silva

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